Diretoria de Ensino Região de São Bernardo do Campo
EE OMAR DONATO BASSANI
1ªATIVIDADE:
Inocência
Leia os fragmentos de Inocência para responder às questões 01 a 05:
Texto I:
O dia 15 de julho de 1860 era dia claro, sereno e fresco, como costumam ser os chamados de inverno no interior do Brasil.
Ia o Sol alto em seu percurso, iluminando com seus raios, não muito ardentes para regiões intertropicais, a estrada, cujo aspecto há pouco tentamos descrever e que da Vila de Sant’Ana do Paranaíba vai ter aos campos de Camapuã.
A essa hora, um viajante, montado numa boa besta tordilho-queimada, gorda e marchadeira, seguia aquela estrada. A sua fisionomia e maneiras de trajar denunciavam de pronto que não era homem de lida fadigosa e comum ou algum fazendeiro daquelas cercanias que voltasse para casa. Trazia na cabeça um chapéu-do-chile de abas amplas e cingido de larga fita preta, sobre os ombros um poncho-pala de variegadas cores e calçava botas de couro da Rússia bem feitas e em bom estado de conservação.
Tinha quando muito vinte e cinco anos, presença agradável, olhos negros e bem rasgados, barba e cabelos cortados quase à escovinha e ar tão inteligente quanto decidido.
Texto II:
—Está aqui o doutor, disse-lhe Pereira, que vem curar-te de vez
—Boas-noites, dona, saudou Cirino.
Tímida voz murmurou uma resposta, ao passo que o jovem, no seu papel de médico, se sentava num escabelo junto à cama e tomava o pulso à doente.
Caía então luz de chapa sobre ela, iluminando-lhe o rosto, parte do colo e da cabeça, coberta por um lenço vermelho atado por trás da nuca.Apesar de bastante descorada e um tanto magra, era Inocência de beleza deslumbrante.
Do seu rosto irradiava singela expressão de encantadora ingenuidade, realçada pela meiguice do olhar sereno que, a custo, parecia coar por entre os cílios sedosos a franjar-lhe as pálpebras, e compridos a ponto de projetarem sombras nas mimosas faces.
Era o nariz fino, um bocadinho arqueado; a boca pequena, e o queixo admiravelmente torneado.
Ao erguer a cabeça para tirar o braço de sob o lençol, descera um nada a camisinha de crivo que vestia, deixando nu um colo de fascinadora alvura, em que ressaltava um ou outro sinal de nascença.
Razões de sobra tinha, pois, o pretenso facultativo para sentir a mão fria e um tanto incerta, e não poder atinar com o pulso de tão gentil cliente.
RESPONDA:
1.A denominação romance regionalista aplica-se ao livro em que o autor identifica para o leitor a paisagem, os costumes, a linguagem de uma região específica do interior do Brasil. Reconheça do primeiro fragmento elementos que permitem identificar a paisagem rural de Inocência:
2. Identifique no primeiro fragmento os aspectos que apresentam Cirino como elemento estranho à paisagem.
3. O segundo fragmento apresenta ao leitor a moça, Inocência. Ela está doente, com febre brava, de cama. Em sua descrição, porém, o narrador destaca que aspectos da moça?
4. Destaque as expressões que realçam a meiguice de Inocência:
5. Os protagonistas do romance pertencem a grupos sociais distintos. Comente em que este aspecto interfere no relacionamento deles.
6.(UFMS) Considerando a leitura do romance Inocência, do Visconde de Taunay, assinale
a(s) alternativa(s) correta(s).
A-Às descrições da natureza típica do cerrado brasileiro, palco da história do amor
de Inocência e Meyer, misturam-se cenas da Guerra do Paraguai, conflito que traz para
a cena do romance o soldado Cirino, que se apaixona pela bela sertaneja, tentando
tirá-la dos braços de seu amado.
B.Apesar do afeto que Pereira sente pela filha, ela é motivo de constante preocupação
para o pai, uma vez que, por obra de qualquer descuido, pode pôr a perder a honra
familiar, aliás uma opinião estendível a outras mulheres em idade casadoura. Segundo
Pereira: “Ih, meu Deus, mulheres numa casa, é coisa de meter medo…São redomas
de vidro que tudo pode quebrar…
.Durante um almoço, Pereira enaltece a fartura do Brasil, ao ouvir de Meyer notícias
sobre a morte de pessoas, à míngua, durante o inverno europeu. Essa exaltação dos
recursos alimentares do país, sinônimo dos recursos naturais do Brasil, é um reflexo
da busca e aclamação dos elementos constitutivos de uma nação brasileira, independente
do julgo da metrópole portuguesa.
C-.De acordo com a narrativa, são ressaltados aspectos pitorescos do sertão brasileiro,em contraste com a vida na corte, mais precisamente no Rio de Janeiro, sob a influência
das culturas europeias, em especial a francesa. Essa comparação visa a demonstrar
a superioridade do modo de vida na corte e a pobreza e a ignorância do
sertanejo.
SOMA: ______________________ 06
7.(UFMS) Sobre o romance Inocência, de Visconde de Taunay, é correto afirmar que:
A-.o pitoresco da paisagem sertaneja recebe especial atenção do narrador: os elementos
da natureza são descritos minuciosamente, inclusive através de nomes científicos
em notas de rodapé, como também as relações do homem com essa mesma natureza.
B-é um romance regionalista, de tendência sertanista, cuja linguagem possui os elementos necessários para a descrição da paisagem do interior brasileiro, além de explorar o conflito amoroso próprio da vertente romântica.
C-.a austeridade do pai de Inocência é quebrada pela intensidade do amor que a filha
devota a Cirino, levando-o a acobertar a fuga dos amantes da ira de Manecão.
D-.Tico, o anão que vigia Inocência o tempo todo, é um dos tipos humanos descritos por
Taunay que dá à narrativa um colorido especial.
16.Inocência é noiva de Manecão, por promessa de seu pai, Pereira. A jovem, no entanto,
apaixona-se por Cirino, uma espécie de curandeiro ambulante que tenta salvá-la da febre.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
SOMA: ______________________ 7
8.Comparando as heroínas românticas dos romances urbanos de José de Alencar à personagem Inocência , do livro homônimo de Taunay, pode-se afirmar, entre outras coisas, que:
a)Inocência é um romance interiorano. Desta forma, o rígido código moral e religioso que rege a vida na corte não chega até lá e Inocência, como o próprio nome indica, é facilmente seduzida pelos homens e torna-se um joguete na mão dos mal intencionados pretendentes.
b)Inocência é ingênua e pura, enquanto as heroínas alencarianas são devassas ou corrompidas pelo dinheiro. Reflete-se aí o mito do bom selvagem, segundo o qual o afastamento do ser humano da natureza o corrompe.
c)Inocência encarna a mulher pura e aparentemente frágil, que, não obstante, opõe uma resistência passiva à vontade familiar. Ela prefere morrer a casar com quem não ama. Os tipos femininos de José de Alencar, normalmente, não aceitam pacificamente as convenções sociais retrógradas da sociedade e opõe uma luta ativa que pode levá-las ao triunfo ou à destruição.
d)Inocência encarna a mulher desprovida de individualidade, totalmente submissa ao jogo de interesses de sua família. Para satisfazê-los, renúncia aos próprios sentimentos e expectativas. Já os tipos femininos de José de Alencar não aceitam pacificamente as convenções sociais retrógradas da sociedade e opõe uma luta ativa que pode levá-las ao triunfo ou à destruição.
e)não há diferenças marcantes entre os anseios e posturas das heroínas dos dois escritores. São moças, bonitas, que esperam ansiosamente o príncipe encantado, como se vivessem em um conto de fadas.
9. (UFRN) O romance Inocência (1872), de Visconde de Taunay, é reconhecido pela crítica como uma das mais populares narrativas da Literatura Brasileira. Nessa obra, o leitor pode identificar valores do Romantismo regionalista por meio da:
a) Caracterização do modo de vida urbano como sendo perverso.
b) Assimilação dos costumes do homem branco pelo caboclo.
c) Reprodução do linguajar típico do interior brasileiro.
d) Intervenção reflexiva do narrador protagonista.
10.(Ufam) Leia o trecho abaixo, extraído de um famoso romance brasileiro:
“Com a tarde, voltaram Meyer, José Pinho e Pereira e, pouco depois deles, três avelhantados escravos; estes dos trabalhos agrícolas, aqueles de grandes excursões entomológicas.
Vinha o mineiro meio risonho e em altos gritos acordou Cirino, que, deitando-se a dormir, sonhara todo o tempo com a graciosa doente.
— Olá, amigo! olá, doutor! chamou Pereira com voz retumbante, isso é que é vida, hem? Enquanto nós trabalhamos, eu e o Mocho do José, você está nessa cama de veludo!…
— É verdade, concordou o moço, apenas os Srs. se foram, estendi as pernas e até agora enfiei um sono só…
— E o remédio da menina? perguntou Pereira abaixando a voz.”
Pelo ambiente de fazenda, pelo nome de alguns personagens e pelo tom romântico da narrativa, estamos diante de um trecho do romance:
a) A Moreninha, de Bernardo Guimarães d) Lucíola, de José de Alencar
b) O Sertanejo, de José de Alencar e) Inocência, do Visconde Taunay
c) O Garimpeiro, de Bernardo Guimarães
11.Inocência pode ser considerada a obra-prima do romance regionalista do nosso Romantismo. Seu autor, Visconde de Taunay, soube unir ao seu conhecimento prático do país, adquirindo em inúmeras viagens na condição de militar, o seu agudo senso de observação da natureza e da vida social do Sertão de:
a)Goiás b)Minas Gerais c) Mato Grosso d)São Paulo e) Pará
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